sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Evolucionismo e Criacionismo

Isaac Epstein 
Fonte:http://www.comciencia.br/200407/reportagens/15.shtml 
O criacionismo e o evolucionismo são duas propostas contraditórias que dizem respeito à ocorrência temporal de um fenômeno: a origem do homem. A primeira, criacionista radical, adotada pela teologia judaico-cristã, foi expressa com surpreendente precisão pelo bispo anglicano de Armagh, Usher, no final do século XVII, que decidiu, baseado em textos bíblicos, que o mundo tinha sido criado precisamente no ano 4004 AC, juntamente com todas as espécies tal como existem atualmente. A segunda, o evolucionismo, adotada pela ciência, propõe que o universo surgiu há cerca de mais ou menos 13 bilhões de anos atrás, a vida em nosso planeta, com suas formas mais primitivas de organismos unicelulares, há cerca de 3.5 bilhões de anos.
Desde então, até a atualidade, através de inumeráveis transformações e algumas extinções em massa, chegamos a cerca de 30 milhões de espécies de seres vivos, apesar de, até o momento, apenas 1.5 milhão terem sido descritas. Mais impressionante que este número de espécies existentes, é que estes 30 milhões de espécies atualmente existentes representam apenas cerca de 0.1% das espécies que existiram na Terra. Isto significa que cerca de 99.9% de todas as espécies que habitaram o globo foram extintas.
Apoiando o criacionismo radical está a fé religiosa que é baseada nos textos bíblicos. O evolucionismo é apoiado em evidências cosmológicas, geológicas, arqueológicas e antropológicas. Sua negação envolve a recusa em aceitar uma boa parte das ciências naturais, principalmente as descrições da história do planeta e da vida.
Quanto à origem das espécies e do homem em particular, todos os processos de avaliação da idade dos fósseis tanto animais como do próprio homem e de seus precursores mais imediatos apontam números totalmente incompatíveis com os fixados pelos textos religiosos.
O quadro da evolução biológica da transformação das espécies por geração de variedade e seleção por aptidão à sobrevivência, inaugurada por Darwin, apresenta alguns pontos obscuros ou ainda não totalmente absorvidos pela teoria da evolução, mas é geralmente aceito em suas linhas gerais pela totalidade dos cientistas.
Na tentativa de amenizar o hiato entre o tempo da criação bíblica e a imagem fornecida pela ciência, o criacionismo compreende atualmente uma certa variedade de crenças deslizando desde a interpretação literal da Bíblia até um criacionismo progressivo, criacionismo contínuo, evolucionismo teista, etc.
O anti-evolucionismno é mais ativo entre grupos do sul dos Estados Unidos. Henry M.Morris antigo professor universitário e um grupo de criacionista organizaram em 1963 a 'Sociedade para a Investigação da Criação'. Em 1972 fundou o Creation Research uma instituição privada não lucrativa cujo objetivo original é publicar literatura criacionista e fazer campanha nas escolas públicas a favor das interpretações bíblicas da origem do homem. Este movimento está ligado a grupos religiosos e politicamente se situa entre os mais conservadores.
Não acreditamos que, do ponto de vista da ciência, o criacionismo mereça mais do que uma breve menção não sendo suas razões capazes de abalar o edifício das crenças científicas e das evidências a favor do evolucionismo. A teoria evolucionista naturaliza o homem fazendo-o parte imanente e contingente de um processo mais amplo e global. O criacionismo lhe atribui uma origem transcendental e necessária através do sopro da vontade divina. Assim o evolucionismo explica a origem do homem de "baixo para cima" a partir de formas menos complexas e o criacionismo de "cima para baixo" através do ato divino.
Esta polêmica, a nosso ver anacrônica do ponto de vista da ciência adquire, não obstante, uma coloração específica e atual quando transportada para a origem da vida social, dos valores e da ética das sociedades humanas. A ética, em geral tem sido definida como a ciência da conduta. Como tal, sua natureza foi atribuída a normas religiosas reveladas, na especulação filosófica, à razão prática, sendo reservada à ciência positiva a sua descrição empírica nas diversas sociedades. Em contraposição à sua origem de "cima para baixo" dois autores, entre outros, Nietzsche e Freud, justificaram, cada um a seu modo, a naturalização da ética, postularando a sua "genealogia" de "baixo para cima".
Ora atualmente um movimento científico a sociobiologia que é uma disciplina que consiste no estudo científico da base biológica de todas as formas de comportamento social em todos os tipos de organismos, inclusive o homem" recoloca a antiga polêmica em outros termos. Na disputa secular entre a natureza e a cultura (Nature or Culture) como agentes determinantes do comportamento social, disputa esta muitas vezes exacerbada por matizes ideológicos, a sociobiologia pende para uma posição definida: a própria organização social dos seres humanos seria uma conseqüência das pressões dos mecanismos darwinianos de seleção natural. Tal como os insetos e muitos animais o comportamento social do homem teria sido, originalmente, sua resposta evolutiva às pressões existentes no nicho ecológico em que atua.
Eis que, novamente se tenta naturalizar setores tradicionalmente geridos pelo saber filosófico ou religioso. Serão então nossos mais caros valores, como o altruísmo, e a solidariedade não atributos exclusivos da espécie humana, mas compartilhado por outras espécies?
O altruísmo, por exemplo, que considera, como o fim da conduta humana, o interesse do próximo e se resume nos imperativos: "Viva para outrem", ou "Ama o próximo mais que a ti mesmo", sempre desafiou uma explicação "naturalista". O próprio termo altruísmo tem ocorrido mais freqüentemente nos textos religiosos ou literários do que nos discursos das ciências humanas. Valorizado em diversas religiões, chega a atribuir uma aura de santidade a seus portadores infatigáveis.
Nas últimas décadas, no entanto, o altruísmo tem tido duas entradas no campo das ciências do comportamento: a primeira se refere a estudos de etologia e comportamento animal; a segunda a uma situação típica, quase um paralogismo, referente a uma situação descrita pela teoria de jogos e denominada de Dilema do prisioneiro.
Quanto ao comportamento animal, o altruísmo pode ser considerado como um comportamento auto destrutivo tendo como objetivo o benefício de outrem. Esta auto destruição pode variar em intensidade desde o total sacrifício da vida até uma diminuição da aptidão corporal.
O desempenho altruísta, apesar de contrário ao que se poderia esperar pela teoria darwiniana da evolução biológica, tem sido verificado em várias circunstâncias. O paradoxo do altruísmo animal deriva da simples pergunta: "Como pode um gene se perpetuar se provoca o suicídio de seu fenótipo portador?" A preocupação com este e outros tipos aparentemente anômalos de comportamentos conduziu ao desenvolvimento de uma nova fase no estudo da evolução do comportamento: um casamento entre a etologia e a genética populacional.
O interesse pelo estudo do altruísmo animal, inserido na nova disciplina da sociobiologia, indaga sobre uma possível origem filogenética do altruísmo humano.
Na disputa entre a natureza e cultura (Nature or Culture) como fatores dominantes no comportamento humano e que tem tomado um colorido ideológico, a sociobiologia, toma uma posição definida: a própria socialização do homem seria uma das conseqüências das pressões dos mecanismos darwinianos de seleção natural sobre as variedades geradas aleatoriamente.
Boa parte das informações básica da sociobiologia se originou da etologia, que consiste no estudo dos padrões globais de comportamento dos organismos em condições naturais. Com base na ecologia e na genética, a sociobiologia estuda, ao nível das populações, como os grupos sociais se adaptam ao ambiente através da evolução. Toda a forma viva pode, então ser vista como uma experiência evolutiva, um produto de milhões de anos de interação entre os genes e o ambiente. Em suma, a tese central da sociobiologia é que quando a vida social se tornou vantajosa para a sobrevivência, a seleção natural favoreceu os genes favoráveis a este comportamento.
Possivelmente quando não só o mapa, mas também os desempenhos dinâmicos do genoma humano forem decifrados, a disputa biologicistas x culturalistas poderá ter uma expressão mais científica e menos ideológica.
Terá o altruísmo humano um componente de origem filogenética? É uma das teses da sociobiologia, ou pelo menos uma hipótese a ser investigada independentemente de sua conotação ideológica.
Por muito tempo os biólogos, particularmente os não familiarizados com a genética, explicaram a evolução do comportamento, tal como o da abelha que deixa o seu ferrão no intruso à colméia embora com isto decretando sua própria morte, porque este comportamento embora fatal ao indivíduo, favoreceria a espécie. Em verdade é o contrário o que ocorre: se um gene favorece um indivíduo, ele se estabelece embora possa reduzir, em longo prazo, a sobrevivência da espécie.
A explicação para esta aparente incongruência é que, em verdade, o indivíduo altruísta, embora desaparecendo, contribui para a sobrevivência de outros indivíduos seus "parentes" que participam de sua carga genética. Isto explica também o ato altruísta dos progenitores, que em geral, na maioria das espécies superiores, sacrificam parte de seu potencial individual para a sobrevivência em favor de seus filhotes. Entre outras estratégias de proteção altruísta, podem fingir um ferimento para distrair o predador. Este fato prevê também que o altruísmo e o comportamento cooperativo é mais freqüente entre indivíduos que mantêm um laço de parentesco do que entre indivíduos estranhos. Desta forma os genes comuns aos parentes são preservados.
Um outro tipo de comportamento cooperativo ocorre entre macacos babuínos. Quando dois machos, A e B, disputam uma fêmea, um deles, B pode solicitar a ajuda de um terceiro C, com um sinal de cabeça facilmente reconhecível. Se a ação deste último facilita a vitória de B que vantagem C obtém? A explicação mais convincente é que este tipo de comportamento altruísta entre indivíduos não parentes, é a reciprocidade. C ganha a possibilidade de ser ajudado por B num futuro confronto.
A dificuldade com esta explicação é que ela não prevê a recusa ou "ingratidão" futura de B prestar ajuda a C quando solicitado. Parece, no entanto, que os padrões de comportamento evoluíram de tal forma que os animais ajudam apenas os indivíduos que os ajudaram o que implica no seu reconhecimento.
Recentemente alguns pesquisadores mostraram, mediante modelos matemáticos, que a cooperação pode se desenvolver mesmo entre indivíduos sem parentesco e que jamais terão a oportunidade de se reencontrar para devolver a ajuda recebida. Nestes casos assume-se que dois organismos têm pouca probabilidade de se reencontrar. O indivíduo não espera a ajuda recíproca de quem ajudou no passado, mas de um terceiro. Mas para esta reciprocidade indireta ocorrer é necessário imaginar que os indivíduos observam outros do grupo lhes atribuindo "pontos" imaginários.
Este conceito de reciprocidade indireta tem inspirado alguns autores para traçar um paralelo com a evolução dos sistemas morais nas sociedades humanas.
A própria luta ritual (geralmente por sexo), sem prejuízos demasiadamente graves para o perdedor e que ocorre em muitas espécies, e evita escaladas potencialmente fatais, consiste em estratégias desenvolvidas e selecionadas no decurso da evolução que ao mesmo tempo que facilitam o cruzamento dos machos mais aptos, protegem os mais débeis da destruição.
Os torneios simulados em computador da situação denominada de Dilema do prisioneiro, permitem observar como mecanismos artificialmente construídos de geração de variedade aleatória e seleção permitem observar o aparecimento de comportamentos cooperativos a partir de situações de jogo aparentemente de soma-zero .
A idéia matriz, tanto do estudo do altruísmo animal, como das simulações mencionadas, é explicar o aparecimento da cooperação a partir de interações administradas pelo egoísmo dos indivíduos.
A sociobiologia apresenta alguma evidência empírica a favor da idéia da origem de "baixo para cima" de alguns traços valorizados da ética humana. Com isto, de algum modo, traz para o campo da pesquisa científica, se bem que em outro registro, alguns aspectos da obsoleta polêmica entre a criação e a evolução.
Isaac Epstein é professor do Labjor/Unicamp e da Universidade Metodista de São Bernardo do Campo.

Notas
Os cientistas falam em cinco grandes extinções das espécies ocorridas num passado geológico distante. A primeira há cerca de 440 milhões de anos atrás; a segunda há cerca de 365 milhões de anos; a terceira, a maior de todas, responsável pela extinção de cerca de 98% de todas as espécies existentes, há cerca de 250 milhões de anos; a quarta há cerca de 205 milhões de anos; a quinta ocorreu há cerca de 65 milhões de anos É a mais famosa porque significou a extinção dos dinossauros que dominaram o planeta por cerca de 140 milhões de anos. Uma de suas conseqüências foi ter aberto a possibilidade da subseqüente ascensão dos mamíferos, até então reduzidos a espécies de pequenas dimensões. Alguns cientistas acreditam estarmos vivendo a sexta extinção em massa, agora provocada pelo próprio homem. Calcula-se que cerca de cerca de dois terços de todas as espécies de aves, mamíferos e plantas serão extintos dentro de um século.
WILSON ,E,O Sociobiology, Cambridige.Mass, Harvard Univ.Press, 197
Embora no dilema do prisioneiro se tratar mais da cooperação para o bem comum do que propriamente do altruísmo. (EPSTEIN, I "O dilema do prisioneiro e a ética" in Estudos Avançados 23, USP, Janeiro/Abril 1995, p.149/163
MAYNARD SMITH,J The Evolution of Behaviour, in Scientific American, Setembro, 1978,p. 136
LORENZ,K Studies in Animal and Human Behavior, Harvard, Univ.Press, 1971, Vol.II,p.153
MAYNARD SMITH,J, idem, p.140
FERRIÈRE,R "Help and you shall be helped" in New Scientist, 11/Junho/98, p.517
ALEXANDER, R,D, The Biology of Moral Systems, New, York, Aldyne, , 1987
EPSTEIN,I, Idem

domingo, 26 de setembro de 2010

Bioética: o aborto e as religiões

O Catolicismo

O Catolicismo desde o século IV condena o aborto em qualquer estágio e em qualquer circunstancia, permanecendo até hoje como opinião e posição oficial da igreja católica.
A igreja católica considera que a alma é infundida no novo ser no momento da fecundação; assim, proíbe o aborto em qualquer fase, já que a alma passa a pertencer ao novo ser no preciso momento do encontro do óvulo com o espermatozóide. A punição que a igreja católica dá a quem aborta, é a excomunhão.
Em 1917 a Igreja declarou que uma mulher e todos os que com ela se associasse deveriam receber a excomunhão pelo pecado do aborto. Isso significava que lhe seriam negados todos os sacramentos e sua comunicação com a igreja: uma punição eterna no inferno. Com a encíclica Matrimonio cristão de Pio XI em 1930, ficou determinado que o direito à vida de um freto é igual ao da mulher, e toda medida anticoncepcional foi considerada um “crime contra a natureza” exceto os métodos que estabelecem a abstinência Sexual para os dias férteis.
Em 1976 o Papa Paulo VI disse que o feto tem “pleno direito à vida” a partir do momento da concepção; que a mulher não tem nenhum direito de abortar, mesmo para salvar sua própria vida. Essa posição se baseia em quatro princípios:

1) Deus é o autor da vida.

2) A vida se inicia no momento da concepção.

3) Ninguém tem o direito de tirar a vida humana inocente.

4) O aborto, em qualquer estagio de desenvolvimento fetal, significa tirar uma vida humana inocente.

Igrejas Protestantes – Batista, Luterana, Presbiteriana, Unitária e Metodista
Na doutrina religiosa dos protestantes, Há um leque maior de atitudes em relação ao aborto. Encaram a questão de forma menos homogênea, apresentando enfoques mais flexíveis do que entre as autoridades da Igreja católica romana.
Há uma carta do arcebispo de Canterbury para o jornal The Times, de Londres, na qual ,pergunta: “Para a Igreja e para o Estado, a unidade do respeito moral é a pessoa humana. Quando o embrião humano se torna uma pessoa?”.
O abade Downside mantém que “não há momento determinante afora o momento da concepção, no qual se possa razoável biológica e fisiologicamente determinar que se inicia a vida humana. Apesar disso, pra mim me parece difícil admitir que comece nesse ponto”.
A grane diferença entre católicos e a maioria das igrejas protestantes, está no respeito à vida da mãe. Assim, todos concordam em que é no momento da concepção que está adquire todos os direitos pessoais e direitos atinentes à maternidade, pois é encarregado de gestar, cuidar e alimentar o embrião desde o momento de sua concepção até o momento de seu nascimento. Ao mesmo tempo é preciso ver que o médico tem o dever primordial para com a mãe, pois foi ela a pessoa que o requisitou. Assim, se uma escolha tiver de ser feita entre a vida da mãe e a do embrião ou do feto, recairá sempre sobre ela a escolha prioritária, cabendo, portanto ao médico decidir, em ultima analise quando ele poderá desligar a mãe de sua responsabilidade em relação ao feto. Foram os paises protestantes os primeiros neste século a adotar legislações mais liberais em relação ao aborto.

Religiões islâmicas
Os líderes islâmicos em geral se mostraram desfavoráveis ao aborto, mas recentemente alguns emitiram opiniões menos conservadoras. Assim, o grão mufti da Jordânia escreveu em 1964: “Antigos juristas, há 1500 anos, afirmaram que é possível tomar medicamentos abortivos durante a fase da gravidez anterior à conformação do embrião em forma humana. Esse período gira em torno dos 120 primeiros dias, durante os quais o embrião ou feto ainda não é um ser humano”.
Estas reflexões, prossegue ele, estão contidas num verso do Corão (livro sagrado muçulmano):

“Nós o colocamos
Como uma gota de semente
Em local seguro
Preso com firmeza:
Depois fundimos
A gota em coalhos
Moldamos
Um (feto) bolo; então
Nesse bolo talhamos
Ossos, e vestimos os ossos
Com carne;
Então o produzimos
Como outra criatura
Assim, bendito é Deus
O melhor Criador”.

Isto é, só depois de ser “vestido” com carne e osso, se torna ser humano. Só a partir desse momento é que o aborto seria punido como assassinato, segundo os juristas muçulmanos dessa época, e que agora, dados os intensos debates que ressurgem sobre o tema, são redescobertos.

 
Religião Judaica
Na Michna – código oral resultante das interpretações dos rabinos sobre o Torah (livro sagrado) no século II -, considerava-se a vida da mãe como mais sagrada que a do feto.
No século XII Maimonide, médico e teólogo muito famoso, introduziu a noção de criança agressora para autorizar o aborto terapêutico.
Recentemente, em 1969, o rabino David Feldman, ao prestar depoimento num processo instaurado em Nova Iorque, em que se erguia a inconstitucionalidade das leis desse Estado contra o aborto, afirmou que, do ponto de vista judaico, se o aborto não é desejável, também não é considerado um assassinato, e que em todos os casos é a saúde da mulher que prevalece, tanto no que se refere ao equilíbrio físico como psíquico. Para os judeus, o feto só se transforma num ser humano quando nasce, e isso se deve a concepções teológicas diferentes em relação à alma e “pecado original”.
Segundo Feldman, a alma não é extensível nem redutível, não cresce durante nove meses, assim como não diminui, porque é de natureza espiritual. Se a alma é pura e espiritual, o problema do momento de sua encarnação deixa de ter uma importância fundamental, pois ela voltaria a Deus em qualquer circunstância. O verdadeiro problema é o de saber se o feticídio é um homicídio.
A resposta de Feldman a essa questão foi: “Ele interrompe indubitavelmente uma vida possível, mas o que os rabinos acentuam é que uma mulher que decide, após a concepção, interromper a gravidez, não estaria muito distante daquela que deixa de ter relações com seu marido para não conceber. Se no segundo caso não há homicídio, também não há no primeiro”.

Religião Espírita
Religião extremamente difundida no Brasil, em particular o kardecismo, é encontrada também sob outras denominações. Todas concordam, de maneira geral, no que tange ao aborto, em considerá-lo um crime; mas por razões diversas daquelas apontadas pela igreja católica. Vêem nesse ato uma recusa aos desígnios de Deus. Ao mesmo tempo, consideram a vida do ser já existente como prioritária em relação ao ser que ainda não existe e, havendo risco para a mãe, a interrupção da gravidez pode ser praticada.
O Espírito, segundo sua doutrina, sempre existiu, desligando-se pela morte e reencarnando em outro corpo. Para eles portanto não há, no caso de um aborto, a “morte” de um ser. O que existe é a frustração de um Espírito que tem seu corpo abortado. Se as razões para esta interrupção da gravidez forem injustificáveis, os causadores terão naquele espírito um inimigo perigoso, causa de males futuros.
Certos órgãos da imprensa espírita ocupam-se dos debates atuais sobre a explosão demográfica, e recorrem ao Livro dos Espíritos de Alan Kardec para encontrar sobre as leis da reprodução. Assim, podemos ler que, se a população seguir sempre uma progressão constante que vemos, não chegará um momento em que se tornará excessiva na terra porque Deus a isso prov6e, mantendo sempre o equilíbrio. Ele nada faz de inútil, e o homem só v6e em ângulo do quadro da natureza, não podendo julgar da harmonia do conjunto. Tudo que entrava a marcha da natureza é contrário à lei geral, afirmam.
Podemos concluir que não há unanimidade e respeito do emprego de métodos contraceptivos nem da prática do aborto entre os seguidores das diversas interpretações do espiritismo. O grau de punição pelo ato praticado varia conforme o contexto individual.

Candomblé
Liturgia de tradição oral, não constam escritos doutrinários. De maneira ampla, afirmam que não há restrições à vida sócio-afetiva (incluindo aí o relacionamento sexual) dos adeptos, sendo o aborto permitido por sacerdotisas e sacerdotes conhecidos do Rio de Janeiro. Abrem, no entanto uma exceção a essa liberdade, quando se constata que a concepção daquele feto ocorreu durante um período de recolhimento religioso, pois neste caso poderia ter-se dado por injunções alheias à vontade daquela mulher que devem ser por ela acatadas. Mantêm a tradição e o emprego de diversos métodos anticoncepcionais trazidos da África em séculos passados.
Budismo, Hinduismo e o Hare Krishma
Para essas religiões, o cerne da questão está na forma como encaram o sêmen, considerado o veículo transmissor da vida. Isto significa que é no momento da concepção óvulo-espermatozóide, que se dá o início da vida.
Concluí-se, pelas visões diferenciadas dos corpos masculino e feminino, que essas religiões defendem, que o homem é o portador da vida, e a mulher portadora de um corpo cuja única finalidade é proteger o feto. Ambas as religiões defendem uma visão machista, onde o homem é quem tem o direito de decidir pela continuidade ou não da gestação.
Entre gueixas o aborto é normal, já nas mulheres serias o aborto só é feito perante a autorização do marido.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Os Adolescentes e os Ciberespaços!

Os Ciberespaços são locais de comunicação que descarta a necessidade do homem físico para constituir a comunicação como fonte de relacionamento, dando ênfase ao ato da imaginação, necessária para a criação de uma imagem anônima, que terá comunhão com os demais.
Apesar da internet ser o principal ambiente do ciberespaço, devido a sua popularização e sua natureza de hipertexto, o ciberespaço também pode ocorrer na relação do homem com outras tecnologias: celular, pagers, comunicação entre rádio-amadores e por serviços do tipo “tele-amigos”, por exemplo. Um dos públicos que são mais adeptos a estes espaços são os adolescentes, estes, passam horas e horas nesse meio, alguns até fazem suas refeições em frente ao famoso “Pc”.
A Internet tem muito a nos oferecer, mas também é o caminho para o outro lado dessa história, pois através dela adolescentes conhecem pessoas mal intencionadas, capazes de usá-las para cometer  crimes ou até lavá-las a vítimas das mesmas. São cada vez mais frequentes surgirem casos de abusos sexuais envolvendo adolescentes que iniciaram relações através dos ciberespaços.
Uma das saídas apontadas por especialistas na área, para minimizar tais acontecimentos, seria a participação mais incisiva dos pais na criação de seus filhos. A participação familiar e o envolvimento dos pais nas atividades dos filhos lavariam aos mesmos a uma vida enriquecida de carinho e menos solitária, não dando margem a uma vida paralela em ciberespaços.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O Fundamentalismo nas Religiões


Nos últimos anos, vemos contecimentos, envolvendo atentados terroristas nos últimos oito anos fez circular como moeda corrente o termo fundamentalismo. O fundamentalismo tornou-se chave explicativa para todas as ações de terror em todas as regiões do planeta. Terrorismo e fundamentalismo tornaram-se sinônimos. E o grande vilão, seria o fundamentalismo islâmico, visto como o principal responsável pela triste terça-feira de 11 desetembro de 2001. A expressão fundamentalismo a priori, é na verdade um pressuposto epistemológico que teve sua origem no protestantismo norte-americano. Surge em meados do século XIX e foi usado pela primeira vez em 1915 pelos professores de Teologia da Universidade Princeton, na publicação de uma pequenacoleção de livros com o titulo Fundamentals. Onde propunham um cristianismo extremamente rigoroso, dogmático e ortodoxo. Já no contexto católico, o Fundamentalismo é chamado de Restauração ou Integrismo. Que dentre outras coisas, procura restaurar a antiga relação entre o Poder e o altar, o Estado e a Igreja. Existem duas vertentes de fundamentalismo católico: o doutrinário e o ético-moral. O fundamentalismo doutrinário está representado pelo documento Dominus Jesus doano 2002, redigido pelo então prefeito da congregação para a doutrina da fé e atual Pontífice Joseph Ratzinger. O documento, segundo alguns setores da Igreja Católica, compromete todo o esforço de manter um dialogo ecumênico com outras confissões e contraria uma tendência ecumênica que vinha se cristalizando apartir do Vaticano II. A vertente ético-moral, está representada pela militância moralizante contra os preservativos, o aborto, a masturbação, o homossexualismo e o divorcio. O Fundamentalismo, é uma forma de se interpretar e viver uma doutrina. É assumir a letra da doutrina sem cuidar do seu espírito e de sua relevância no processo histórico. Hoje o islamismo ocupa o eixo das discussões mundiais. Como a religião que mais cresce. O islamismo original não é "guerreiro" nem fundamentalista. É tolerante para com todos os povos. (islã = total submissão aDeus). Parte do problema do choque de civilizações está no processo civilizatório ocidental e da globalização econômico-financeira, altamente competitiva e nada cooperativa. Citemos as cruzadas da igreja católica contra os muçulmanos, a política norte-americana que maltrata as nações árabes, o financiamento norte-americano ao estado deIsrael para massacrar os palestinos e mais a fome, a miséria e o processo de exclusão pela qual as nações pobres passam. Como conviver com o Fundamentalismo? Só se vence o fundamentalismo com abertura, tolerância, com o principio “Não faças ao outro o que não queres que te façam”.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

NOTÍCIAS DA HORA


Religiões são contra acordo entre Brasil e Vaticano

Eis a Reportagem na íntegra:

“Contrários ao acordo assinado entre Brasil e Santa Sé em novembro, igrejas, grupos religiosos, especialistas e deputados pedem a rejeição do texto pelo Congresso Nacional.

O documento, que levou mais de um ano para ser costurado - era pleiteado pela Igreja Católica havia mais de uma década-, foi assinado no Vaticano durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao papa Bento 16 e deve chegar à Câmara nos próximos dias.

Segundo denominações religiosas e até grupos católicos defensores do Estado laico, o documento sugere a prevalência da fé católica sobre as outras e ameaça o ensino leigo em escolas públicas. A falta de discussões públicas sobre o acordo também é alvo de críticas.

O Colégio Episcopal da Igreja Metodista fez uma declaração pública pedindo a sua não aprovação, por considerar que ele fere o artigo 19 da Constituição -que veda relações de dependência ou aliança entre a União e igrejas e a "distinção ou preferência entre brasileiros". "Reafirmamos o direito da liberdade religiosa como um dos pilares indispensáveis de uma sociedade democrática", diz a nota.

Coordenadora do grupo Católicas pelo Direito de Decidir, Maria José Rosado Nunes lembra que o Brasil nunca precisou assinar acordos semelhantes porque a liberdade religiosa é garantida. "Foi um acordo costurado às escondidas da sociedade", diz. Ela acredita que a redação indica a prevalência de uma religião. Como exemplo, cita o trecho do texto que diz "O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas".

A professora ressalta ainda a vantagem da Igreja Católica no ensino religioso em escolas públicas: "Com todo seu poder no campo da educação, ela mobiliza todo seu aparato para fazer do ensino um ensino católico".

Tímido

O coordenador de Projetos do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP, Francisco Borba Ribeiro Neto, discorda do argumento de que o acordo privilegie a fé católica: "O acordo é até tímido, genérico demais".

Ribeiro diz que a todo o momento o texto reforça que os tópicos estão sob leis brasileiras -"o acordo não faz nada além de normatizar o que já existe"- e cita a peculiaridade da Igreja Católica de ter se constituído como Estado autônomo: "É um acordo entre Estados".

O antropólogo Emerson Giumbelli, professor da UFRJ, cita exemplos em que o texto vai além da ratificação. São os artigos que tratam da anulação de casamentos religiosos, o não vínculo empregatício de sacerdotes e, ao falar do ensino religioso público, aquele que permitiria legislar sobre outras confissões e insinuaria maior pertinência de uma religião.

"Precisamos de um acordo dessa natureza no Brasil democrático de hoje? Quais seriam os impactos sobre outras confissões em um país que abriga tantas delas e procura hoje tratá-las com igualdade?"

Desde a assinatura, a CNBB tem se esforçado para explicar que não há privilégios ou discriminação. "O reconhecimento do Estado laico é um valor", afirma o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha. O Vaticano, Estado reconhecido pela ONU, tem tratados desse tipo com cerca de 70 países.

Um dos principais objetivos da Igreja Católica é organizar questões jurídicas, inclusive trabalhistas. A Santa Sé reivindicava que não se reconhece vínculo empregatício entre os ministros ordenados: nos últimos anos, houve casos de padres que, ao deixar o sacerdócio, buscavam indenização. O mesmo ocorreu com fiéis que prestavam trabalho voluntário.

Pelo menos dois deputados federais foram a público criticar o acordo. Arolde de Oliveira (DEM-RJ), que é ligado à Igreja Batista, afirma que não é uma questão religiosa, mas de respeito à Constituição. Já o deputado federal José Genoino (PT-SP) afirma que suas restrições se baseiam na defesa do Estado laico. Ele quer solicitar audiências públicas no Congresso.

Depois da assinatura do acordo, o Ministério das Relações Exteriores enviará o documento para a Casa Civil, que o remeterá à Câmara. Na Comissão de Relações Exteriores, o texto se transformará em Projeto de Decreto Legislativo. Antes de ir a plenário, passará pela Comissão de Constituição e Justiça. Se aprovado na Câmara, tramitará ainda no Senado".


O que é RELIGIÃO?


A palavra RELIGIÃO, deriva do termo latino RELIGARE, que significa RELIGAR. A religião pode ser conceituada como um conjunto de crenças relacionadas com aquilo que a humanidade considera como sobrenatural, divino, sagrado e transcendental, bem como, o conjunto de rituais e códigos morais que derivam dessas crenças. As diversas religiões do mundo são muito diferentes entre si, ainda assim, é possível estabelecer uma característica em comum, é o fato de todas possuírem um conjunto de crenças no sobrenatural, geralmente envolvendo divindades ou deuses. As religiões costumam também possuir relatos sobre a origem do universo, da terra, e do homem, e o que acontece após a morte.
A religião com muita frequência contempla a existência de seres superiores que teriam influência ou poder de determinação no destino humano, esses seres são conhecidos como deuses. Mas é possível encontrar religiões que neguem a crença em um ser superior e focalizem os papéis de desenvolvimento de valores morais, códigos de conduta e senso cooperativo em uma comunidade.